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Voos

Dalila Moura

29/01/2018 01:53

Fosse eu apenas asa e tu, queixume
em penas no meu peito resguardado
e todo o mar de pranto, era o lume
rasgando a esquina de um voo, incendiado
onde as dobras do vento desvendavam
na proa do veleiro, cama de mar e lençóis
de manhãs atravessados no verde oceânico
do olhar. Na espuma deslizando corpo a corpo
instante breve, no suor da madrugada
vagarosa, alastrando na pele da gaivota
como fogo acendendo veias, risos e poeiras
na cinza circulando até à foz do desejo
navegando mar aberto em tempestade
asa ou remo, roçando a água, como beijo.