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Visitantes do silêncio

Isabel Pereira Rosa

03/05/2015 01:29

As palavras adoçam a pele
E a música
Rasgam os desertos brancos
De papel e de mágoa
E inundam de luz
Lagos de escuridão.
Viajantes da boca e dos dedos
Aquecem as casas fechadas
Enchem os peitos cansados
Alagam os olhos e os rostos
E passeiam do peito para os lábios
Para as mãos
E para outros lábios
E outras mãos.
Viajantes da luta
Enfrentam os olhos ferozes
Dos fortes, dos algozes
E avançam e amansam
E adoçam
A pele, a música, a vida.


O assombro do dia na sua claridade
Ou a adrenalina do sonho e da esperança
Que habitam a noite
Quando o ponteiro das horas é mais lento?
Talvez a noite viva de alucinações
Mas como prosseguir sem elas?
Os espelhos mais ferozes são os outros
Os seus rostos, as suas vozes
Os seus sorrisos
Como flores temporariamente abertas:
Pode parecer um abrigo, um abraço
Quando se abre uma carnívora flor.
Partir em busca do que não existe
É o fado de quem sonha
Um novo mundo.
Onde se encontra esse ponto luminoso
Para onde deviam tender todos os passos?
Talvez a alguns de nós apenas reste
Ir vencendo a morte
Em cada livre inspiração
Em cada fragrância de terra e de mar.