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Vinho

Isabel Pereira Rosa

28/03/2015 01:01

Na lonjura de montes e planícies
Ou às portas das casas
Videiras são a certeza
De um néctar que irá aquecer almas,
Doces bagos que esperam
Carícias de jovens e velhas mãos
E beijos de bocas cansadas e sedentas
Sob o sol de Setembro;
São a memória intacta
Entranhas e sangue
Dos que já partiram
E as abençoaram com seus dedos fortes
Enquanto os pés calcavam a terra áspera e fecunda,
Obreiros do milagre da transformação.
Não são eternas
Mas ficarão para sempre nos olhos e na boca,
Esculturas divinas
Estremecendo com a brisa,
Sumo de sol, chuva,
Húmus e suor.