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VI

Alvaro Giesta

28/07/2021 01:26

altíssimo e misterioso é o tempo da criação.
com a palavra se veste o verso. seja vida, seja morte,
ou aquele que não afaga o rosto mas afoga o corpo,
quando o corpo é matéria vã. afoga-o para o ressuscitar.
o poeta descobre-lhe a voz que mirra entre as pedras
no tempo do sol ardente;
ainda em semente, guarda-a em ânforas de barro fresco
onde repousa até ao seu germinar.
de entre as pedras que lhe esmagam o cérebro
nascerá: será semente em flor. sal da virgem terra,
abre-se do caos para a superfície: será sal-gema
e primavera aberta em flor. alígera como o vento
abrirá o ventre mesmo fora do calendário das marés.
abrir-se-á como a rocha do seio da terra para a superfície.
depois far-se-á fulgurante
vinda das sombras ou quando do pó regressa à casa
num gesto de recolha, selvaticamente nua.