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Vendedora de flores

José Rodrigues Dias

29/11/2014 23:13

Vendedores de mais e mais promessas,

fogos-fátuos que sempre nos seguem,

que nos passos sempre nos perseguem



(também eu comprei e paguei

e mais ainda pagarei

e por quanto mais tempo eu não sei…

Oh, deuses meus, onde tanto eu pequei?),



vendedores, dizem que são flores

de um jardim novo que nesta terra vai abrir…



Dizem que são flores novas do seu novo jardim,

botões de uma véspera límpida ainda por se descobrir

e que da noite (por ser ainda noite) não são ilusões…



Não são ilusões, dizem que são a manhã fresca

de um outro dia quase a chegar, já a madrugar,

dizem que são o futuro na volta ali do caminho

(no caminho curvo do voto, digo-me eu, calado),



dizem ainda que são passados

ou desfasados

(porque já idos

ou sem poderem neste tempo vir)

os outros jardins anunciados

ali ao lado…



São cestos enormes de promessas,

flores de plástico nunca puras nem virgens,

são cestos e cestos coloridos de flores

sem uma mão só de terra cheia para florir…



Flores tens tu,

flor és tu

e também o jardim,



vendedora de flores,



no teu rosto matinal

um cesto cheio de amores,

o teu sorriso primaveril

uma flor diferente sempre a florir…