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Vaso com flores

José Rodrigues Dias

28/02/2014 18:25

(Sobre um fundo muito negro do palco
um branco frio iluminando à boca da cena
dois actores,
um empregado chamado "vaso" em estátua de flores,
o outro desempregado a que chamo "jarro"
no chão tombado
em posição que sinto de injusta pena.
Eu e o outro de mim, sós, espectadores.).


Somos irmãos
nascidos ambos dos homens,
as mesmas mãos…

Sim, jarro, irmãos…

Tu, irmão,
vaso transparente,
puro o teu coração,
feminina mão te adornando
cobrindo-te de encanto,
vaso florido,
meu bom irmão…

E tu, meu irmão,
no chão
deixado por uma qualquer mão
tombado, grande irmão…

Ouvi, meu irmão,
uma mão a dizer um dia
que small is beautiful,
talvez seja por isso
o teu bonito ramo de flores...

Talvez não, meu irmão,
não ouves muita mão falando das sinergias
das grandes fusões, da escala das economias,
do que é grande como diz muita mão?
Tu és grande, meu irmão,
e não é só o teu tamanho grande,
é no trabalho o teu amplo braço
que abarca muita serventia,
muito saber, essa enorme alegria,
até o teu design

Não digas mais, meu irmão…
Qual alegria!...
Não digas, não…
Um dizia que é a vida!...
A vida, irmão,
no chão…

Meu irmão,
é triste o chão,
sem mão
o teu amplo braço…
Olha, meu irmão,
eu estou aqui,
dou-te o meu fraterno abraço
e uma minha flor,
é tudo em mim,
talvez te ajude nalguma dor…

(Quando o pano baixa
surge um vendilhão numa imagem
de um centro de terceira idade.
Eu levanto-me e saio.
O outro continua em silêncio
triste).