Para visualizar este site, favor habilitar o JavaScript no seu navegador.

Vagabundear

Maria Oliveira

25/03/2022 23:36

Os encasacados pedestres apalpam o piso da passeata soalheira
Aguardando a cópula do sol sobre o horizonte
Enquanto os fetos humanos pressentem para lá da cortina vermelha
O conflito a violência o amor vendido a bandalheira

Transita por entre o frio da tarde de inverno a cinematografia dos abraços
As lágrimas correndo inundando a maquilhagem das faces
Que amachucadas experimentaram dolorosos desenlaces

Pantomineiros repuxam para a tela os gestos envaidecidos
Pela pintura exagerada do arlequim transfigurado
Na surpresa bailarina embasbacada pelos patéticos sorrisos
E na inversão da imagem saltitam os reflexos provocadores
Perante a personagem desprezada solitária e mal-amada contempladora do céu
Denunciando posses transitórias na profundidade dos espelhos percursores

Ante a nudez calorosa do equilibrista
O ciclista pedala na corrente curvilínea da explorada e perversa pista
E por entre o ritmo do vem e vai
Eis que num gesto desinteressado a criança resmunga
Num gesticular de revolta recusa o fascínio pela tecnologia engana tolos
E vira costas ansiando pela dança bordando com os pés o chão
Gritando um histérico não ao pedido de tirar uma foto com o respetivo pai

O enrolamento das ondas anuncia a revolta interior
Contra as plataformas movediças cheias roliças
Da engenharia informática angariadora de escravos felizes tal é a sedação
Enquanto o surfista corta as malhas da rede
Manobra os sonhos negros medonhos em fantasia malfadada
Com malabarismos de navegador ao sabor dos vórtices
Desprendendo-se a salsada patológica no traçado psicótico
Em choques elétricos agitando os neurónios descontrolados da espécie castrada