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Um gesto entre as ruínas

Dalila Moura

12/03/2019 01:21

Um gesto entre as ruínas que o olhar reflecte.
A roupa desmaia no estendal
entre o vento e os risos que a percorrem.
Ali ao lado, há vozes e preces, numa igreja improvisada, que esconde o sol
e infunde no tempo marcas de espanto e (des)alento.
Do lado de lá da roupa, as telhas esverdeadas de musgo
na humidade das horas.
Na ombreira da porta, os riscos do desencanto que sobrevive ao mofo.
O bolor do tempo é uma toalha cor-de-rosa, a espreguiçar-se num bairro em ruínas,
onde o verde da bainha a baloiçar
emerge em sinal de esperança.