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um dia a noite fez-se sobre a tarde

Isabel Mendes Ferreira

12/04/2015 01:20

um dia a noite fez-se sobre a tarde. disseste que era o teu
regresso ao deserto. que agora o silêncio era de pedra
até que o dia fosse outra tarde no alto da noite mais macia.
choveram rosas e lágrimas como adágios e finales em
sonatas marcadas a sangue pelos dedos dos vampiros.
fez-se silêncio como testemunho do sacrifício de uma
moonlight em tempestade permanente. a realidade passou
a dentes a murros a ringue a jogo de xadrez sem rainhas
nem leis objectivas. um longo corredor de sombra visitado
apenas pelo grito que o medo agiganta. assim te vi partir
na magreza vil do gesto independente da vontade. a tarde
passa a faca todas as noites em que te afirmo deserto. e as
cartas são a sepultura anterior à morte. nada que a música
não tivesse adivinhado quando o mar te foi desnudo e
corpo de nevoeiro.

escrevo-te hoje assim porque me és o ponto de partida.
delírio suave suave exílio da chegada ao mais puro e
profundo. que hoje é rasto do teu perfume. asa onde me
escondo. perfil do que não foi.