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Uivos do Corpo, da Intimidade e da Palavra II

Adília César

16/09/2019 01:56

Este sou eu, queres dizer. E eu olhei-te.
Vi um homem que queria desenhar-se
perdido nos corredores desabitados da casa
emparedado nas matérias edificantes do seu mundo.

A tridimensionalidade poética a construir a casa infinita.
madeiras cansadas e metais velhos
pigmentos secos e perplexos
ornamentos do homem que se procura
iluminação estética do contorno do tempo no seu rosto.

Há um chapéu vidente sem cabeça
que guarda o poema por acabar
como um monólogo invertido e visionário.
A denúncia da dor e o prenúncio da solidão
em busca do silêncio perfeito.

O homem constrói-se lentamente
ponto por ponto, peça a peça
até ser inteiro e utópico.
Madeira-metal-sangue-pensamento no chão.
Tão no chão o homem é corpo fundente.
O homem é sempre um homem.

O homem ouve-se a ele próprio e a mulher grita.
Um insecto pousa no som.