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Todos os nomes

Isabel Mendes Ferreira

04/03/2018 02:46

Todos os nomes


todos os nomes todos os rostos todas as mãos que conheço desconheço e que aprendi a reconhecer recolhendo deles e delas o bem e o mal o perfume a derrota o visco os riscos o sangue o sorriso os fogos as entranhas as raízes o cálice a ignorância a sabedoria o esquecimento as memórias o travo a fel o traço do respeito os calos da morte todos os olhos fechados com farpas todos os olhos abertos com sede e seda me foram e são o mais belo oásis da claridade doce amarga cheia fria como a grande maternidade do vento a roer os ossos______________todos me são o evangelho em que só o perdão é água. dura pura amarga doce risível. água que o rosto reconhece como lodo e sal mosto riso e sombra. que a poesia tem a voz do silêncio e falha à razia do esforço simbólico para ser fala. de novo a mesma fala que se cala. riso funerário ao grande dia dos dedos e dos segredos.