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Talvez se chame alegria

Isabel Pereira Rosa

13/11/2017 01:58

Talvez se chame alegria

A humanidade está fora de moda – ouvi há pouco dizer, despreocupadamente.
Conjuro e esconjuro essa voz, tão distante da cúpula dos meus sonhos.
Depois, ouvi-os falar sobre o tempo – o tempo que faz e o tempo que passa –
e fiquei aqui, silenciosa, a medir o tempo, a medir a temperatura da vida, e a 

pensar:
Quando se diz “isto dura uma eternidade”, essa é a medida do tédio.
Peço uma bebida e concentro-me na música e no mar.
Toda a filosofia sobre o tempo cabe num copo semivazio
ou entre as notas duma sinfonia.
E pela boca, pelos olhos e pelos ouvidos retorna este frémito que não sei 
classificar.
Talvez se chame alegria.