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Tabula rasa

Isabel Pereira Rosa

18/08/2021 21:34

Quem dera que tábua rasa
Fosse agora a nossa vida,
Sem a dor amalgamada,
Só doçura pressentida.
Sem inquietude no gesto,
Indecifrável expressão
Nem sinuoso protesto
De outros serem como são.
Do nada não nasce nada,
Mas quem dera que nascesse
E que nesta campa rasa
Mesmo a morte florescesse.
Que a areia fosse branca
E nunca antes pisada,
Onde os corpos, repousados,
Se levantassem do nada.
Que as mãos, livres, se entregassem
A carícias de veludo
E sem procurarmos nada
Na vida achássemos tudo.