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Sou a pedra onde tropeço

Alvaro Giesta

17/08/2021 02:09

Nesta espécie de realidade que surge,
neste sonhar acordado, sou
uma “massa oca com dois orifícios” na testa:
― vêem, mas apesar disso perco-me de cego,
de tudo me engano, mas nunca de nada
me sinto algemado. Dançam-me os pés
numa labareda invisível que arde e me consome
como a febre da noite consome o dia;
canso-me de ser como sou,
de dar-me a todos como me dou.

Este existir assim,
bloqueia-me o caminho antes de o percorrer.
Vejo-me sem chão,
perco-me nos passos desta cratera que piso;
enforco-me no enredo de falsos amigos que tenho.
Canso-me deles como dos sonhos que não realizo.
Quando sinto que certas amizades
são uma farsa perfeita à volta de mim,
vejo-me a própria pedra onde tropeço
como se mergulhasse no fugaz instante
que teima empurrar-me de cegueira para a cova