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Sinais

Leocádia Regalo

25/02/2021 12:41

Havia sinais ao longo da estrada
e eu não os via com a pressa que tinha
embrenhada na fuga ardilosa
escapava-me célere alheada sozinha.

Passavam prodígios
alcançava vertigens
descia à montanha mais alta do mar.
Corriam nascentes
em todas as veias
sulcava o destino
sem o decifrar.

Compunha poemas
no âmago da vida
aspergindo bálsamos
sobre a inquietação.
Criava climas
povoava desertos
cheios de silêncios
e de assombração.

Havia sinais ao longo da estrada
puras marcas de água
indistinto rumor
vestígios de asas
de anjos caídos
das catedrais góticas
no seu esplendor.

Havia sinais ao longo da estrada
mas eu não os via com a pressa que tinha.
Agora pressinto os meros sinais
inscritos na pele que não é só minha.