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Seresteiro

José Rodrigues Dias

21/10/2014 01:30

Teu rosto tombado deixou de cantar,
teus dedos de dedilhar, oh seresteiro,
teu violão companheiro de te ajudar
numa canção de um amor verdadeiro,

a tua janela, se era tua…, se fechou
e a noite, que se fez crua na sua rua
sem sombra de luz feminina de lua,
triste, triste, tão triste ali te deixou,

e o brilho emergindo de olhos seus
que julgavas sendo aqueles os teus
ali na rua que já vias tua se findou
naquela janela onde ela se barricou,

mas quem sabe, oh doce seresteiro,
se teu puro encanto e tuas serestas,

em tanta serenata tão apaixonada,

não se infiltrarão por finas frestas
entreabertas por santo milagreiro,

pela janela trancada de tua amada!...