Para visualizar este site, favor habilitar o JavaScript no seu navegador.

Sentas-te na sombra e sabes

Maria João Cantinho

25/10/2014 21:34

Sentas-te na sombra e sabes
que só o crepúsculo acalma
a tua urgência, a tua sede
do avesso da noite, do assombro
essa cavalgada desvairada das palavras
que ribombam no teu cérebro.

E procuras o escopro, esse arado
alquímico, o ritmo matemático
e lírico, desassossegando a vida,
lendo-a, pintando-a como um sol
negro, avassalando o poema com uma luz
de abismo irrecusável.

De facto, a luz do poema recusa-te.