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_________________se toda a poética fosse um lápis em flor

Isabel Mendes Ferreira

01/05/2021 01:56

________________se toda a poética fosse um lápis em flor seria
rubro o gume quotidiano e fosforescente o rosto da palavra mais
justa para o sonho. esse rio aonde chegas devagar e de onde
partes visionário. suscito-te um desassossego viajante no espaço
sem lei nem metáforas opacas. faço-te de novo e ainda a flor mais
rara onde te habito sem máscara nem perdição. és o meu único
inquilino do texto sempre aberto onde te declino o profano e o
sagrado o profundo e o raso. o tempo todo a ser sempre recorte e
nunca margem. a sumptuosa e flamejante coroa a génese e a
ambição de um eco indestrutível o presente imaculado a boémia
discursiva e esta legenda. onde o compasso não é de névoas nem
de humidíssimos remorsos. moras em mim desde a primeira
cicatriz. és a minha sandália. também em abril. messiânico.