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saudade. de João Gaspar Simões. de um abril vinte e cinco

Isabel Mendes Ferreira

14/09/2014 14:11

saudade. de João Gaspar Simões. de um abril vinte e cinco mil vezes sonhado e uma acontecido. saudade de acreditar na generosidade e na honra e na sabedoria e na luta contra o mal e este apenas usado na literatura. saudade de abrir o olhar e ver que do outro lado a montanha só paria aves em voo picado sobre os fogos não fátuos. saudade da linguagem desconvencional da ternura e dos sinais extremos e externos da verdade a troco da verdade. doesse o bastante que fosse e fosse outra vez arma denunciadora dos interesses poucos e apoucados para servirem altos desígnios do espírito sobre o punhal. saudade dos bons filósofos e professores e críticos e dramaturgos e poetas e pintores saudade de uma Agustina lúcida e de um Régio dramático indeformáveis apesar deste tempo fácil e de palavras cruzadas no painel da conveniência onde se almoça com o diabo e se janta com os anjos.
saudade de acreditar nos teus beijos e no teu abraço e nas juras de amor para sempre como se o sempre se demorasse mais do que um momento. saudade dos sóbrios e de uma certa elegância sem ser de auto.espelho. onde amanhã falas de mim e depois eu digo de ti que és o maior. saudade de João Gaspar Simões que regava criteriosamente as flores na varanda e clamava sobre os impostores. e não juntava moedas para salvar uma ideia. coisas de um outro tempo. que hoje até as pedras se embaraçam com a falta de pudor. por tudo isto é que há muito emigrei.