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Sabíamos a altura perfeita

Leonora Rosado

27/04/2021 21:42

Sabíamos a altura perfeita
Para atravessar a linha do comboio
Eram-nos dado sinais na palma das mãos
Linhas em arco e estrelas
Crucifixos inúteis
Pedíamos que a nossa constelação brilhasse
E nos trouxesse aos pés a erva fresca
E um jazigo de palavras
Onde murmurar é absurdo
Somos pedras imunes ao toque
Saliências inesperadas nos carris
Temos amianto na voz e o enquadramento singular
De um apeadeiro vocal por onde se esgotam
As nossas passadas