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Reparos na Jangada

José Rodrigues Dias

21/02/2014 18:22

Eu te conheço,
teu nome é Jangada,
és a Jangada dos ossos rijos,
teu rosto de suor e sal é ao sol tostado,
és a mulher da faina cavalgando os mares
sem sinal de medo
galgando as ondas eriçadas,
tu de lenço largo em teu pescoço esguio
solto todo ao vento
como em desafio,
eu te conheço!...,
o homem é teu aliado
(eu sei, Jangada,
que seria do homemsem ti, mulher, cavalgando tu os mares
a abrires os caminhos
como um camelo num deserto,
sim, desculpa-me a imagem não apropriada…,
amainando tu as tempestades,
coitado)…

Vês, Jangada,
eu conheço-te dos caminhos…

E agora nessa sala grande
estás tu agora parada
deitada
anestesiada
a ser de algum mal
nos teus ossos rijos
reparada…

Não chores,
embora uma mulher caída também chore
nos caminhos com veredas enroladas
como ondas de mar com espinhos
em cruz,
não chores
que o homem espera…

Sabes, Jangada,
não sei se agora ainda me ouvirás
mas pouco importará,
junto a ti está
um velho curandeiro
de mãos sábias experimentadas
(digo velho só por isso,
pelo respeito de ser sábio
e pela confiança que me dá),
está com outros dois curandeiros
seus companheiros.

Sabes, Jangada,
eu sinto,
eu sei
que teus ossos rijos
vão ficar inteiros,
tu reparada
as new
para nova jornada!

E olha,
em cantos da sala
em silêncio perguntam por ti
e o céu espera um sorriso teu
para ele mais se abrir
a sorrir…