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Redenção

Dalila Moura

08/05/2020 21:56

Sobre as ruínas onde deitas a esperança
Edificas a solidão no ruído surdo
Da pedra que se solta ao compasso do tempo.

Elas que te caem na cabeça no incêndio momentâneo
Da inquietude e da memória equivocada
Na impaciência das horas.

Tentas soerguer sobre o rumor da pedra
Um olhar inquieto que condena o desmoronamento
Que te lamina a alma, em corte seco, sangue escasso
De veias com trombos
E persegues o voo que pulsa nas asas por abrir.
Perdes-te no empedrado e aguardas o estrondo,
Como relâmpago que se avizinha no horizonte cinzento.

Espera inexplicável na ténue esperança
De silêncio a descer sobre a ravina.
És vertigem! O fogo está do outro lado,
Na marca que deixaste inscrita em êxtase, num círculo estonteante de liberdade.

Na inocência do olhar, no cálice de espanto, na viagem das estrelas, no calor de Janeiro.

Sobre as ruínas
Só edificas o vazio
Adensando o suar das pedras
Em muralha que ecoa ao céu um cálice de azul.

As aves ferem as asas nos escombros.
Voa! Voa na luz incandescente da construção de um pensamento novo.