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Reconheço-me

Maria Oliveira

17/05/2017 02:18

Reconheço-me!  (Desenho de Verônica Bruno)

Reconheço-me!
Na intuição que vem de dentro
Quando algures no meu pensamento antecipo o acontecer
Entre a lógica do estar e as sincronias do invisível
Como se tivesse eu capacidade de prever
Em pesquisa de labirintos
E em como sair deles em puro antever
No abrir de portas procurando tesouros mágicos
Onde impera a fantasia
Na determinação em permanecer em paz
Em romper com as regras em manhãs de maresia

Reconheço-me!
Na persistência de caminhar à chuva em pleno litoral
No provocar de etiquetas de teatros de aborrecimento
Na curiosidade do experimentar sem contratempo
No voo imagético em direção a um reino sem rei
Em que os seres repletos de luz dançam em dinamismo
Equidade em júbilo longe do obscurantismo

Reconheço-me!
No mordiscar das unhas em agitação
No espelho de chama pensando em ti mão na mão
Na dança erótica sem tino e sem perdão
No amor imenso que transpiro no teu leito
No carinho exuberante
Entre estalidos de beijos no teu peito
Embalo-me nos teus braços
Deixo-me afundar nos teus olhos
Que têm o mesmo olhar triste que os meus
Onde o peso de contendas traiçoeiras
Moldaram a alma acorrentando-a ao poste
De uma civilização em degradação

Reconheço-me!
Quando me cantas melodias ao anoitecer
Com os teus lábios perto dos meus
Sentindo o teu corpo em vibração total
Deixando-me conduzir oferecendo-te as rédeas
Da liderança do hino da vida para ti
Ouvem-se então vozes pelo sombreado das paredes
Une-se o teu ao meu clamor
Em submissão ouço-te a divina voz
Sinto-te em louvor
Envolvo-me em êxtase no teu calor