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Quando invoco razões

Leocádia Regalo

17/08/2021 01:22

Dou-te o antídoto da conversa prolongada
para exorcizares a mágoa fundeada no peito lacerado.
Ouço confidências lembranças pesares
embrenho-me no teu íntimo, pássaro intruso
para te ver no outro lado do espelho
espicaçando a renúncia dos dias agrilhoados
às raízes longínquas da tragédia essencial.

Também eu me sinto a braços com a realidade.

E à medida que avanço na descoberta
da razão obscura que nos move e determina
qualquer coisa me assusta
nem tudo me anima.

Dou-te o antídoto da tranquilidade ilusória
que podes calmamente fruir sem favores.
Cúmplice intimidade onde inventamos
a imagem perdida do paraíso almejado.
Assim discordamos do destino gizado
por deuses distantes tantas vezes ausentes
impassíveis nos momentos cruciais.

Também eu me sinto em saldo com a eternidade.

E sempre que os dias se escoam tácitos
no fio cortante da existência perdida
só me resta parar abrandar a corrida
esgrimir coragem enfrentar a verdade.

Dou-te o antídoto, meu bem, da eternidade
dos instantes vividos em plena união
generosa de rumos percursos saídas
para as dúvidas insones de inquietação.