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pressinto o teu olhar rente ao entardecer

Isabel Mendes Ferreira

28/02/2015 20:47

pressinto o teu olhar rente ao entardecer
e cada beijo teu sabe-me a verão
descem anjos e magnólias no silêncio dos teus lábios
morrem palavras e bandolins nos teus braços.
chegam asas partem barcos.
enche-se o tempo de espigas e maças
e um segredo de cânfora enche-me de luar.

se um dia voltares diz-me apenas em que margem
                                                                   [habitas
pressinto que voas no coração das hienas. no interior
das pedras. ao longe do meu pomar.

e hoje dói-me a falta duma espada ou dum rio.
Tudo seria mais breve se dissesses não.


(in UM CORPO (SUB) EXPOSTO, p. 18)