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Portal de esperança

Maria Oliveira

17/07/2017 01:03

Portal de esperança

Este muro verde que as minhas mãos acariciam
É o portal de acesso ao permanecer eterno
De uma paz astral mesmo nas entranhas do conflito
É o veludo das minhas vestes com que me cubro
Enquanto não ultrapasso a dimensão terrena
Em que a amenidade é efêmera

Este muro verde que me rodeia é sintoma desenraizado
Da maré cheia endiabrada da onda colossal embriagada
Pelo entusiasmo de uma luz tremelicante ensombrada

Este muro ainda se ergue como ancoradouro dos vivos
Ao barco que percorre o rio da imortalidade em direção
Ao suceder infinito das criaturas desarvoradas
Prisioneiras de falsidades e vegetando enleadas

Este chão prolongamento desta onda vibratória
Verdejante sob os meus pés
É o tapete que me sustem
Quando no emaranhado de gente
Galopam olhares de desdém
É o leito que acolhe a minha tristeza
Por traições sofridas no estilhaçar da incerteza

Este chão resvaladio repleto de ratoeiras
Onde o deslizamento abrupto pode acontecer
É a materialização ténue entre o estado de viver
E o deixar-se paradoxalmente morrer

Ah raio de sol matinal ilumina o meu corpo e espírito
Pois a batalha que se avizinha é grandiosa
A coragem com que enfrento as feras é imperiosa
E mesmo que uma lágrima deslize no meu rosto
Desmaiando amargurada no meu peito
Em convicção sei que luto pela dignidade e amor
Por tudo o que me faz feliz e a que tenho direito!