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Pela porta sempre acesa da memória

Isabel Pereira Rosa

01/07/2022 22:17

Pela porta sempre acesa da memória
Entra constantemente sem aviso
O teu vulto de pura luz.
Bebemos um licor de lembranças
Em taças cristalinas de silêncio.
Estás ali, sorridente,
Como no tempo em que a nossa gente
Tricotava sonhos e se banhava
Em noites de música e riso.
Metade já se foi e compartilhamos
A queimadura da sua ausência.
Enquanto entrares assim
Pela porta acesa da memória
O teu sangue não se apagará
Nas vielas escuras do esquecimento.
Sabes, por vezes, abandono feliz
As vozes estridentes da realidade
Só para me poder recolher
E ver entrar silenciosamente
O teu vulto de pura luz.