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...para quem achar que lisboa é uma mulher...

Isabel Mendes Ferreira

04/10/2013 17:03

há quanto tempo não te amava assim. lisboa. fragmentada de águas. memórias inchadas de prazer. assim caída nos meus ombros à deriva por outros mares outras marés outros cheiros mas sempre rente à música do teu ventre inclinado para o tejo. ...há quanto tempo não te fazia e dizia amor nos dentes. amor nas ancas dedilhadas por farpas e guitarras e vielas... assim te desdigo saudade. e volto aos teus flancos como gaivota em dezembros líquidos e densos. oleosos. florestais. lisboa de um piano que finalmente se cala. neste aqui. que já foi tanto. mesmo quando tocava sangue e silêncio. não é de adeus que te falo. é de mais longe. de mais logo. de outro lugar. as árvores dão ramos. que fazem de ninho. onde me aninho. e beijo-te lisboa. de teclas acesas. amanhã. outro rio. e voltar é o princípio.