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Para lá do mar

Dalila Moura

28/06/2018 21:34

Sento-me no vazio onde o banco aguarda
e respiro o toque do vento a cantar sobre as mãos
na melodia indiferente ao tremular das cordas na madeira.
Procuro para lá do mar que se agita contra o peito
o barco cravado nas horas e na água,
na chuva onde o pássaro
se aproxima a transbordar, na tarde e no rasto do voo.
Há um violino debruado na música que separa as palavras
e o delírio recortado do infinito. Como quem morde o som
entre grinaldas e orvalhos de rosa,
enquanto o sol se faz poente.
O céu é uma aguarela, mancha de carmim e fogo preso
na margem onde as estrelas se despem e descansam.
Estou de costas. Do outro lado há searas e cabelos de trigo.
Do outro lado quebra-se o azul.
É a música a soltar-se da esquina entre os dedos
como areia que anoitece enquanto o mar respira.
E um beijo cerra a boca entre o desejo e o luar!