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Palavras que ficaram

Dalila Moura

08/05/2020 23:23

As palavras ditas, podem libertar…
as outras, as que ficaram,
serão sempre cúmplices do silêncio, habitando um espaço (i)rreal!
Nada disseram sobre os beijos, o sorriso e o som da voz,
a (in)submissão dos dias. as ausências. Nunca saborearam a resposta do vazio, nem arrastaram os passos da fantasia. Prenderam-se em corda de impossíveis onde os pássaros poisam -Ou talvez galopem na crina rebelde do tempo do futuro-
riem-se, as palavras, quando abraçam o rio e descansam na margem, preparando um enxoval de areias e ventos.
Despem-se na água. Percorrem os seixos polidos. Fazem-se rumor e têm sede. Estendem os vocábulos interditos pelo tempo e, vão morrendo devagar… emudecidas no grito da espuma crua onde verteram o sangue. Palavras líquidas. Bebidas pelo rio onde as rãs coaxam e as consomem, como líquenes verdes descidos do sol, antecipando a madrugada.
Despediram-se as palavras, sem dizer adeus! Com nitidez e cansaço… atravessando pontes.
E ficam sempre por dizer… suspensas na madeira. Os pingos da chuva circulam e
envolvem-nas na loucura do imaginário.

In “Voragem de Mim”