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Os vivos caminham no vazio

Dalila Moura

09/04/2018 01:53

Despe-se o mistério, no desejo azul de ser poente
onde a luz desafina na densa manhã
onde cada sol se reproduz, num imaturo silêncio
onde o nevoeiro se incendeia.
A ruína
o pó
o tecto
a boca, engolindo a água
derramada,
em busca de rios
e peixes num desafio aos homens
na superação do pensamento.
O ferro, em escultura, nicho do tempo
que as veias carregaram e as mãos torceram
bastando-se na arte da espera.
A sombra inquieta-se sobre o sol,
e bebe o pó da viagem, na passagem,
onde os vivos caminham no vazio
onde a esperança se mistura, rumo à luz.
Há seiva na passada, escorrendo na finitude
Onde se ajustam os dias, os corpos, as árvores
e a chama!