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Os versos navegavam

Leonora Rosado

18/01/2020 02:42

Os versos navegavam para o sonho, e as pálpebras para o sono, um repouso intangível. Conduzi-os à extrema-unção. Os lábios imperecíveis da volúpia, calor dos ombros que carregavam pássaros, toda uma sorte de coisas inverossímeis. Criar na axila o calor da distância. A desordem das roupas que afinal, eram sintomas de abulia. A noite fluía contra o movimento da esfera. Éramos luz e incêndio, brotávamos em ramos inflamáveis. Dir-te-ei daqui a pouco, se a faringe é um sentimento perdido como a minha voz. Onde a labareda lambe a passos breves a humidade de um acorde linear. Ou talvez, não tanto. Não tens de carregar aos ombros essa flor inviolável. Deixa-a comigo. Conheço tão bem os naufrágios do teu rosto. Conheço as pétalas e a harmonia descendente de um círio. Somos duas lâminas. Procuremos o nosso lugar.