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Órfãos do incognoscível

Maria Oliveira

23/05/2019 01:45

A procura deambulou curiosa com a luta dos seres
Escarafunchou o umbigo
E não ofereceu resistência à expansividade labiríntica
Dos caudais que afugentam as famintas ratazanas
Glutonas de garras em chamas

A curiosidade afundou-se na recriação
Pois descobriu a facilidade em reciclar
Em inventar a partir da constante surpresa da alma
Perante o corte profundo que os senhores
Desenham com prazer alucinado no escravo
Mas o inalcançável era sábio

E na voz audível do teatro trágico
O mau transforma-se em bom
O salgado em doce o branco em preto
Numa miscelânea gritante onde os órfãos do incognoscível
Deixando-se trespassar pelos enleios cósmicos
Participam da eternidade abrindo fogo
Em corpo celeste caótico ruidoso e desfeito
Mesmo sabendo que é celebração
Subida à montanha em transe soltando amarras
Mergulham no mar da insegurança da impermanência
Lugar inexistente mas eleito