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Isabel Mendes Ferreira

14/02/2014 17:33

_____Oração dos


espelhos mortos


Dai me senhor o recorte da caridade o húmus da leveza a agulha faiscante do mistérios do vinho enterrado e o pó que coagule a miséria em harpa e em vigas de aço. Fazei dos meus dias a puríssima osmose das pedras com o nevoeiro e cegai me senhor para melhor ler as sirenes que esmagam o meu peito e dele fazem aquário de serpentes imóveis. Dai-me um novo alfabeto com o sol por cima de cada letra e que se apague o diálogo de caim e eu caia serena sobre o chão do esquecimento. E que nunca mais nenhuma palavra invente um óbito ou espasmo ou pranto em vão. Dai-me senhor as horas da morte como ferida sem suturas nem anéis nem aves furtivas disfarçadas de benevolência que tu sabes senhor que até a linha mais fina me foi mosaico de traição e aleatórios ais de pressentimentos. Faz-me muda e surda e crava-me os teus dedos generosos na minha angústia de álbum violado. E se as trevas me circulam e atam e rasgam e me curvam em ventre de réptil ensina-me senhor a tecer um par de asas malignas que eu não sei perdoar a quem me ofendeu e muito menos ser setinoso lábio face à órbita do mal. Tenho um espelho morto ao lado do coração e tu sabes todos os salmos que me escravizaram quando me deitei no mar morto daquele corpo. Dai-me senhor o improviso suficiente para voar. Que é ao longe e ao largo que serei misericórdia e espuma. Uma oração aérea e talvez mais pura. onde me faças véu orgânico semântica feliz ancora e efluvio salomónico_______.