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Oposição aparente

Maria Oliveira

13/11/2017 01:02

Oposição aparente

Quem disse que o escuro e o frio eram sinais de morte
Sem ida sem vinda sem passaporte
Ferro quente estilado ausente
Que trespassa o tempo bafejado pelo incoerente

Contentor de mensagem secreta
Gravada na armadilha da teia neuronal
Rende-se aos enleios da aranha paciente ardilosa
E aguarda a mão que desmonta em rede de pesca artesanal

No encruzamento das linhas permanece
A cruz simbólica do humano
As direções da Terra no Norte Polar
Do sul solar do surgimento da luz em brio
No sono gélido profundo apaziguando o cio

O aracnídeo tece em redor da janela aberta para a claridade
A névoa de cabelos brancos
Confundindo os ratos aguardando as lagartixas
Que perderam as caudas
Na fuga impensada da extinção iminente

O frio e o escuro selam o segredo da vida
E aguardam que a semente sobrevivente
Rompa a casca e se deixe arrastar na cósmica corrente
Onde a metamorfose desnuda os corpos
Na transmigração de energias
E estilhaça os campos quânticos da impermanência
Confundindo o humano que tem ganância
Pelo sagrado e profano perto do abismo da irreverência