Para visualizar este site, favor habilitar o JavaScript no seu navegador.

O lado de cá

Maria Oliveira

13/11/2017 01:11

O lado de cá

A obscuridade que fizera um acordo com a negridão abissal
Rebelou-se contra o escuro e num golpe cénico fê-la desaparecer
Pois que perante a continuação do nada era melhor ser e aparecer

Mas a obscuridade quis manter o trono
Embora no fundo de si mesma fosse um mono
E o ser e aparecer ficam faiscantes meros debutantes
Ingénuos palhaços bobos ignorantes limitados atados
Porque o atilho das trevas espreitava
E controlava a cada momento
Inventando a promiscuidade dos elementos
Dos compósitos fedorentos

É que o lado de cá oprime controla reprime
Vitimiza decepa os corações
Faz as criaturas em barcas da necessidade e amargura
Permanecerem à deriva entre orgasmos de fogo-de-artifício
Ansiando todos o inalcançável paraíso

O lado de cá chicoteia abrindo fissuras
Na carne humana retalhando os animais
O lado de cá absorve as impurezas de cérebros conspurcados
Na patologia dos lagartos comedores de ovos

No lado de cá as vozes formam o coro do socorro
O grito de revolta pela intermitência das luzes austeras
Da desagregação da matéria
Desmembrando apunhalando fundo nos corpos
Fazedores de orlas de coral cadavérico poluído
Onde dançam as ninfas desobstruindo metais pesados
Que laminam a postura ovípara dos répteis
Que ambicionam o pódio e o aplauso dos milionários
Exploradores invasivos de espaços alheios
Manipuladores sem freios
Manhosos esqueléticos e feios
O lado de cá é o faz de conta onde a nudez é escondida
Porque o elo de ligação a corda que nos sustém
Que nos anima a todos permanece perdida