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O grito da madrugada

Isabel Pereira Rosa

24/02/2021 13:34

O grito na madrugada
solto pela máquina vermelha insidiosa
não pode ser exultante
nem sequer inócuo.
Perturba os ouvidos e o ventre
que se revolve ao som inesperado e feroz
reabre feridas
ressuscita memórias
conspurca o silêncio difícil
tardiamente conquistado.
O sono alonga a sua ausência
em ruídos subtis imaginários
paira levemente no ar frio
e ousa por fim enredar os pensamentos.
Na transparência das cortinas
dançam imagens sombrias
sem rosto nem cor
e quando a luz finalmente as invade
dissolvem-se na manhã
como estrelas esvoaçantes.
Os meninos pediram asas
sem suspeitarem
do seu peso insustentável.