Para visualizar este site, favor habilitar o JavaScript no seu navegador.

O abismo das trevas

Maria Oliveira

22/04/2017 03:03

O abismo das trevas

A geringonça contorcionista exibe
A dança aleatória para a plateia ausente
Enquanto os globos giratórios magnetizados
Pelos espaços de oportunidades caóticas
Geram encaixes e enroscadelas

Os mitos esfarelam-se em cinzas
Pelo fogo ateado da ignorância das masmorras
Perpetradas pelos predadores de vidas
Sugadores de mitocôndrias
Ávidos de eternidade

Coroados pelos chifres das bestas sem palavra
Escavam a terra afocinhando nos orifícios
Quais feridas terrestres de Mãe generosa
São delatores presos à mesquinhez
Da arquitetura da ganância
Manipuladores invisuais de tecnologia
Manuseadores de arsenal bélico
Encantadores de escravos
Que à morte certa sorriem

Burocráticos malabaristas levantam o chicote
Sobre os ombros acanhados de espírito
Que fazem pacto com o silêncio
Esperançados na ininterrupção
Das tradições milenares obsoletas
Fosseis sem ligação sem aprendizagem nem identificação
Pois os semelhantes transformaram-se
Em mutantes da estupidificação

Há um abismo infinito a desbravar
Trevas para desvelar
Quando deixarmos de ser embusteiros em palco alheio
E passarmos a acrobatas do espaço a tempo inteiro