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Nós que nunca fomos ardentes

Leonora Rosado

27/04/2021 21:44

Nós que nunca fomos ardentes
Temos em nós o ardor do céu
Uma pulseira em volta do dorso
Que nos diz maravilhas
E nos diz tempestade
E solta-se para o amplo infinito modo de estar
Uma cadeira e dois braços de sombra
Repousar é uma máxima
Da qual não prescindimos
Nós que nunca estivemos atentos
Deixámos que aludissem
Às nossas partes menos nobres
Mas a extrema elegância com que o fizemos
Não deixa margem para dúvidas
Somos filhos de deuses castigados
Abotoados à hipótese de um céu carregado de dúvidas