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No silêncio da noite

José Rodrigues Dias

25/10/2014 01:16

Tu o viste, mestre, bigode fino posto,
emergindo, barba afeiçoada em rosto,
uma noz de cratera no queixo saliente,
no longo cigarro branco fogo silente!

No teatro da noite o corpo se acende
num palco de adereços bem cuidado,      
o colarinho pontiagudo aí se estende
e o gorro grande malandro matizado!

À boca de cena mascarado grão-galã
imaginando o mundo inteiro na mão,
feminino a seu bel-prazer lado a lado,

aquele olhar parecendo semicerrado
para melhor absorver tão doce ilusão:
a noite, até ao raiar do dia, de manhã…