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Isabel Mendes Ferreira

07/03/2014 17:37

nem vidente nem profética nem aragem nem Aleph nem ígnea sílaba nem número ímpar como escrita a ser ponte universal. nem ventania no teu rosto. nem têmpora escaldante de mil véus. apenas um traço descontínuo na palma da tua mão. elevo-te ao fim do poço. sim. que é dos contrários que sou. serva e minerva.

e éramos dois. duas linhas in.complacentes na convergência dos ramos sibilantes e cálidos. duas
manhãs em cada dia diferentes no domínio prodigioso de um estalo febril que nada apaga. serva de um caminho que ao longe que se faz perto. e a estrada a cada dia mais larga.

e éramos. duas lágrimas de cristal. lapidadas em curva. crivadas de retornos e de saudade. dois rios pródigos que se bebem no pescoço da memória nunca incendiada e sempre cal. duas pedras infacetadas como todo o êxtase no lado mais peregrino do círculo que nos é medida. cativa.

e somos. legíveis. sem pânico sem rede sem poeiras arbustivas. somos. a chave. a face. o extremo que é sempre extremo. o templo. o cálice e o claustro.

(in As Lágrimas Estão Todas na Garganta do Mar, p. 27)