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Não sei

Dalila Moura

24/05/2019 01:03

Quero dizer que não sei
se voltarei a tingir no papel aquelas palavras
que por vezes adoçavam o vento e o espanto
e outras vezes apenas adormeciam,
no cansaço dos olhos e na bebedeira do tempo.
Aquelas palavras que se soltavam entre a floração das
laranjeiras e o abrir dos amores-perfeitos.
Que faziam dança por cima do piano
entre uma nota desfeita de pó
e uma tecla amarfinada a fervilhar
debaixo do linho bordado.
Um copo de cristal a tilintar entre os compassos e um trago
na certeza corrosiva que acelera instantes
e solta dos trilhos da memória
o tempo, em que as palavras se levantavam
e como grito descansando em enseada,
apanhavam as ondas em caudal de luar.
Não sei, se voltarei a condescender às emoções
que transpiram em temporais
que apressam a rota dos barcos e a repetição das ondas.
Aparentemente o mar é água!
E repete-se em movimentos, onde a palavra se gasta na
maresia e errante, fala de espuma num alarido entre o
tempo e a aceleração do vento nas marés!
É melhor abrandar,
antes que a chama das estrelas, faça arder o mar e o
sobressalto da noite! As algas, são papel pardo onde se
enrolam os sonhos E tropeçam as palavras!
Por isso, não sei, não sei!