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não me morras. nunca. não me deixes. nunca.

Isabel Mendes Ferreira

06/09/2014 01:11

não me morras. nunca. não me deixes. nunca. nunca me devores esta
transgressão de te ser a mais doce garra que te agarra a penumbra e te
desfila até ao corredor da vida sem morte nem espinhos sem pálidos
noivados distorcidos. não me clones outro sonho que este é mais forte
que todos os abandonos. vive no fundo das lágrimas sem código de
barras nem consumo fácil. sou o tempo oblíquo construtivo de uma teia
sem estranhamentos nem compromissos inclinados. não me adoeças o
lado mais avesso da realidade onde o destino parece tântrico e não passa
de um manto. em círculo. em renda. sem fases de lua. sempre crescente.
não me arranhes não me estranhes não me desalimentes esta forma de
humanos e de plantas que como as rosas são asas e toalhas estendidas
para te receber em linho em estanho em fulgor em crença. nunca te
atrevas a morrer-me que me crivas de cristais criminosos e corrosivos.
perfurantes e mendigos. sou a tua melhor célula o teu sangue o teu olhar
o teu silêncio o teu apelo o meu peito no teu cravejado de montanhas. as
mesmas que nunca ouvimos chorar mas que sabemos serem sete
estátuas a moldarem-te o sobressalto. nunca me morras que eu tenho de
ir à tua frente. amusgar-te o caminho. ser-te o ninho de todas as flores.
coroa zodiacal em permanente guarda. casa. de diversos modos te fiz
chave. aguardo.te com esta pele intocável. pulsão de todas as
metamorfoses. lá fora o enigma é triangular. que importa. crucifico-me de
rosas errantes. e deixo-te a última refeição de raios e de rumores alvos e
nunca predadores.__________________ só as besta morrem deitadas de
lado. abocanhadas de lodo. mas tu és o prado. lázaro.
(em nome de todas as rosas te agradeço a rosa)