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não é de hoje. é de sempre

Isabel Mendes Ferreira

27/05/2019 01:39

não é de hoje. é de sempre.e talvez seja apenas para registo do que um dia se ergueu.
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a relação que tenho com a morte tenho-a com o mar onde me faço memória bicéfala para ser distância fácil e perto e rasante à terra onde não moras mas voas como o vento ou como a saudade do imprevisto visto em hipnose. é assim como vestir a nudez e despi-la de sinónimos antigos onde somos todos ex.brilhos de frases cálidas e opalinas como o tempo da cal adormecida. oscilas em sílabas hemisféricamente opostas à fala onde falas de abalos e de nomes afiados de sal e de música peregrina como os lírios que me atiras em segredo. nesta relação epistolarmente púrpura adormece a mão familiar de um anjo narrador de exílios e de balas e de pedras e de véus amantes de uma luz que o mar estilhaça.________tenho-te acima da ruína e ao lado de um coração embriagado.quase embalsamado de injúrias
. assim diria a boca se esta fosse fonte. mas somos apenas mais terra queimada onde tudo é perdidamente longe. tão ao longe que os ossos estalam
na tua mão sobre o meu ombro e desfazem-se em olhos tardios ocos e invigilantes. olhos com pestanas de sangue cognitivamente anunciadores da paralisia do futuro. um moinho de conflitos trágicos a ser excesso de fardo na divina ciência dos dentes indicadores do fim. e um dia a carne farisaica entrou ressurrecta no teu bolso de alquimista do vento. símbolo de um passado morto aos pés de uma escada descendente. que nunca subiu os passos dos amantes . era a excelência dionísica de um seio novo a amamentar a imortalidade. mesmo que por um só momento pendular da ausência do eco. foi assim o mar que devolvemos ao fundo de todos os fundos. de onde se volta nu e degolado. de vidro ou vitrais sem destino outro que não seja a morte. e um dia o efémero dos teus olhos fez-se eterno na terra do nunca. onde o sagrado é origem e verbo irmão da memória amordaçada. um fósforo. uma campânula. uma ressonância madura de monstros e de anjos. lá onde os pássaros explodem serpentinamente. e tu não vês. porque inverso às marés és da terra que se abandona. ruinosamente.
e hoje não te semeio rosas. que és ainda filho de ninguém. amanhã a felicidade já é tarde e arde com a frieza dos que não te foram cajado. antes a vala que vale o adeus.