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Morrer a escrever palavras

Isabel Pereira Rosa

09/10/2020 22:11

Morrer a escrever palavras
Para quem as encontrar
Nos escombros
Quem sabe, duas solidões desencontradas
Que se reúnam no papel perdido.
Há um movimento de espuma
Ou serão labaredas
As veias luminosas sob a pele púrpura
Daí o pulsar, o fôlego
Antes do exílio ou da agonia.
Nas periferias
Há tantas palavras ainda por explicar
Liberdade, cidadania
E nesse obscuro ofício de mandar
Destruíram todos os livros.
Coesão é palavra vã
E não existe uma realidade
Apenas as cabeças
Todas parecidas
Umas mais do que outras.
O pano sobre o espelho
Para tapar o rosto rasgado pelo tempo
A mão sobre o ecrã
Para esconder o sangue.