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MONTEJUNTO

Isabel Pereira Rosa

24/05/2015 02:19

Geometria feminina
desenhada pelos deuses
ou por gestos ondulantes do vento
já abrigaste em teus seios
exuberante vida
enfraquecida pelo tempo
e por chamas de traição.
Mas ainda és
altar de preces e promessas
palco de romarias
testemunho da glória
de refrescar bocas sedentas
e sob a pele
inesgotável fonte da História.
Na limpidez das manhãs mais puras
renova-se o milagre do mundo a teus pés
e o espanto das águas.
Sob o olhar das estrelas
ganham alma ruínas e voos nocturnos
e nos sonhos dos meninos
cintilam tesouros.
Se a cidade que outrora refrescaste
pudesse recostar-se de mansinho nos teus seios
repousaria finalmente
e talvez te chamasse mãe.