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Luz opaca

Maria Oliveira

08/08/2019 01:58

A luz ondula em sopro abastado de movimentações expansivas
Onde as criaturas amedrontadas erguem barreiras
E os dragões mostrengos desenham searas envenenadas
Onde as toupeiras perfuram galerias labirínticas
Em busca de salvação enquanto os povos deambulam pedindo refúgio
E as bandas de música dessincronizadas provocam a hipnose
Dos vertebrados apócrifos encerrados em criptas fumegantes
Onde a morte faz pacto com os dissolventes ácidos

O paradoxo emite então raios indistintos
Diverte-se com os humanos desvairados
Entre o toma lá e dá cá entre o vestir e o despir
Colocar máscara e tirar
Entre o estender da mão e o decepar
Entra no ritual da tontearia o absurdo
Que se nutre a si mesmo prolongando patologias
Enquanto os fios que riscam o céu
Aguardam o poisar dos pássaros aos milhões
Que se ausentaram para outros palcos para outras seduções
E aguardam matreiros que as luzes em estado de insanidade se apaguem

Pela noite as ratazanas ocuparam as casas apodrecidas e vazias
Ambicionam erguer uma escultura cintilante de oiro vivo
E em idolatração constante ao mafarrico
Esperam merecer o trono divino
E decidir quem morre e quem sobrevive

Antes que as luzes se apaguem que a vigília abrace os mais cansados
Que as marionetas se rebelem contra o manipulador
E se libertem das cordas que as prendem
Porque a pessoa é digna e humana
Não pode ser encarcerada e os que se rebelam jamais se rendem