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Habituámo-nos às janelas fechadas

Leonora Rosado

20/06/2020 02:25

Habituámo-nos às janelas fechadas
Sem varandas
Habituámo-nos ao corrimão da dor em lâmina
Sete luas após
Abrimos o parto à exumação de sombras
À crescente delapidação das nossas vozes
Tu nunca me escutaste pedra da minha árvore
Seria eu um pássaro em fuga
Um ultimato ao teu rosto
Nunca projectámos a nossa silhueta
Uma rosa tardia ardia de febre
No pranto incoerente dos nossos ramos