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IV

Alvaro Giesta

28/07/2021 01:37

uma espera de negra cor nesta folha de papel.
uma folha impaciente. confronto-a com o silêncio
e os olhos flamejantes das palavras.
ávidas e inquietas por nascerem, hão-de erguer-se
para a escritura do poema; altivas ou inquietas,
cumprem em liberdade
o dever da voz que rompe as fronteiras do silêncio.
amanhecem no sossego exaltado da noite;
como o mendigo ― sacola ao ombro e vazia
da sorte que nunca teve ― busca a dádiva
e não sucumbe; assim as palavras perseguem
no verso o sonho e o caminho da liberdade.
erguem-se com orfeu,
e nas sombras tingem de manchas fantasmagóricas
as paredes deste quarto.
luminoso há-de ser o olhar fervente do poema.