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Improvisação

Adília César

25/08/2020 01:39

Morreste-me.
E eu improviso uma substituição de ti.
Chamo um nome parecido ao teu
como se fosse o som delirante da nossa intimidade.
Um portão aberto à tua ausência.

Morreste-me.
E eu invento uma nova forma
de olhar aquilo que tu já não vês.
Uma miragem, uma secura dos olhos.

Piso a terra do jardim onde te enterrei.
Terra fértil. Os vermes constroem mapas de ti
e as ervas daninhas da sobrevivência
acalmam o pó do meu sofrimento.

Mas morreste-me.
E os malditos vermes devoram as palavras perdidas
nos pequenos caminhos da carne.